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HORTIFRUTICULTURA: Uso de biodefensivos cresce em torno de 20%

HORTIFRUTICULTURA: Uso de biodefensivos cresce em torno de 20%

Devido ao aumento da demanda por práticas mais sustentáveis na agricultura, o uso de biodefensivos no Brasil cresce em torno de 20% ao ano segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) (EMBRAPA, 2019)

Toda a força do agronegócio brasileiro implica em uma forte dependência de insumos externos, principalmente agrotóxicos. Apesar dessa alternativa se mostrar simples e acessível, a contaminação de alimentos tem aumentado a pressão para uma agricultura mais sustentável. O controle biológico na agricultura é uma das vertentes do manejo integrado de pragas e doenças de plantas, sendo uma alternativa para o controle químico com biodefensivos.

O controle biológico com biodefensivos pode ser utilizado na luta contra pragas, fitopatógenos e ervas daninhas com a introdução de inimigos naturais, sendo eles ácaros predadores, microrganismos, nematóides, parasitóides… Dentre os benefícios que este método apresenta estão: menor custo de adoção, compatibilidade com outros métodos de controle, indução de crescimento de plantas, seguridade para o meio ambiente, aplicador e consumidor, dentre outros que o fazem ser destaque na agricultura atualmente.

Devido ao aumento da demanda por práticas mais sustentáveis na agricultura, o uso de biodefensivos no Brasil cresce em torno de 20% ao ano segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) (EMBRAPA, 2019). O que levou o governo federal a implantar no ano de 2020 a Política nacional de bioinsumos, e algumas ações já entram no plano safra de 2020/2021 atendendo biofábricas e custeio para bioinsumos. Segundo o programa a área com uso de recursos biológicos vai aumentar em 13% em relação aos atuais 10 milhões de hectares usam bioinsumos para controle de pragas e doenças.

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Tecnologia hortícola: Uso de biodefensivos

Talvez o grande diferencial nesse setor para o controle biológico seja sua ótima viabilidade para estufas. Em sistemas de cultivo protegidos, onde as condições ambientais são melhor manipuláveis, os produtos têm maior valor agregado e o sistema fechado impossibilita a aplicação de biodefensivos químicos, por não ser permitir a reentrada em um curto espaço de tempo, o controle biológico é um grande aliado. 

Como utilizar o controle biológico no cultivo de HF com biodefensivos

Alguns dos exemplos de sucesso da aplicação do CB no controle de pragas e doenças na hortifruticultura, são:

  1. Fungus Gnats – Praga comum em estufas é importante em cultivos de cogumelos, hortaliças e flores. Esses insetos podem causar injuria nas raízes, parte comerciais depreciando a produção e o valor comercial das plantas. No cultivo de azaléia, por exemplo, o ácaro predador Stratiolaelaps scimitus é usado para controle de Fungus Gnats (Bradysia matogrossensis) em casas de vegetação (BUENO; POLETTI, 2009).

  1. Ácaros – Os ácaros são espécies que se alimentam de diversas culturas e a  grande capacidade reprodutiva dessa praga os auxilia a causar perdas econômicas muito rapidamente, sendo o ácaro-rajado Tetranychus urticae (Koch) a espécie mais comum. No morangueiro é uma praga primária, pois diminui a produtividade das plantas e deprecia a qualidade dos frutos. Os ácaros predadores e o uso de fungos, como Beauveria bassiana, tem sido utilizados no controle biológico.

  1. Doenças de solos – O controle de doenças causadas por microrganismos habitantes de solo ocorre naturalmente na natureza por meio de agentes antagônicos. Mas quando o solo não é naturalmente supressivo, nem mesmo o controle químico tem alta eficácia. A introdução em massa de microrganismos como fungos do gênero Trichoderma, Penicillium e bactérias dos gêneros Pseudomonas, Bacillus e Streptomyces tem tido excelentes resultados nesse ramo. Como é o caso do controle da Murcha de fusario e de nematóides em tomateiro. 

  1.  Pós-colheita – O uso do controle biológico em pós-colheita é favorável devido a condições mais controladas facilitando as aplicações dos agentes de controle biológico. Em laranja e maças armazenadas a levedura Cystofilobasidium infirmominiatum resultou em bom antagonista de patógenos pós-colheita, (VERO et al., 2011).

  1. Lagarta e traça – Um exemplo clássico de controle biológico é desempenhado pelas vespas do grupo Trichogramma, que coloca seus ovos dentro dos ovos do hospedeiro. Todo o desenvolvimento da fase jovem do inseto se passa dentro do ovo praga. Pragas como a lagarta do cartucho do milho e a traça do tomateiro são os principais alvos. 

O controle biológico (CB) na hortifruticultura, com ou sem biodefensivos, é uma realidade que colabora com a segurança alimentar e é um grande diferencial na produção, pois pode ser adicionado nos cadernos de campo contribuindo com a rastreabilidade dos alimentos, mantendo assim a confiabilidade e competitividade do setor.

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Referências Bibliográficas 

BUENO, V. H. P.; POLETTI, M. Progress with biological control and IPM strategies in protected cultivation in Brazil. IOBC/WPRS Bulletin, [S.l.], v. 49, p. 31-36, 2009.

EMBRAPA. Controle biológico no Brasil tem potencial de crescer 20% ao ano. 2019. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/45574867/controle-biologico-no-brasil-tem-potencial-de-crescer-20-ao-ano. Acesso em: 26 dez. 2020.

HALFELD-VIEIRA, Bernardo de Almeida, et al. (org.). Defensivos agrícolas naturais: uso e perspectivas. Brasília: Embrapa, 2016. 853 p.

VERO, S.; GARMENDIA, G.; GARAT, M. F.; AURRECOECHEA, I. de; WISNIEWSKI, M. Cystofilibasidium infirmominiatum as a biocontrol agent of postharvest diseases on apples and citrus. Acta Horticulturae, The Hague, v. 905, p. 169-180, 2011.

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